A minha mãe disse para eu “comer” o livro… Quando o estudo se transforma em castigo.Por Juliana Filleti S. Mellega/ Psicopedagoga Clínica

Menininho brilhante, cheio de energia e muito bom humor… Distraído, brincalhão, gosta de conversar sobre diversos assuntos e, por este motivo, deixa a desejar em seu rendimento pedagógico. Em casa, sente a necessidade de brincar, falar, fazer uma das coisas que mais gosta: jogar videogame! Até então, tudo certo… E quando chega a hora de estudar, eis a questão: cadê o menininho alegre e brincalhão que havia ali?

Acho que muitos pais reconhecerão o perfil apresentado acima. Algumas crianças amam aprender, mas quando o assunto é “estudar”, o cenário se modifica e tudo parece ficar tenso e nebuloso. A família tenta um pouco de tudo: busca profissionais para orientá-la, organiza um cantinho especial para estudo, propicia um ambiente tranquilo, compra livros… Enfim, inúmeras atitudes que parecem em vão!

E assim, surge a minha questão: por que alguns alunos brilhantes “odeiam” fazer tarefa e estudar?

É comum atendermos no consultório crianças e adolescentes que, apesar de toda facilidade em aprender, não conseguem bons resultados na escola. Bom, vou contar à vocês um caso interessante que, talvez, possa ajudar muitas famílias a compreender este contexto e analisar as situações pelas quais vivenciam diariamente.

Paulo – pseudônimo – era uma criança agitada e, segundo relatos da mãe, “manhosa”. Sempre chorou para entrar na escola, porém, demonstrava facilidade para aprender e assimilar os conteúdos. Foi crescendo e, como o comportamento necessitava de algumas melhorias, a família atribuiu todo o “peso” aos estudos. Foi assim que Paulo se tornou um menino avesso aos assuntos relacionados à escola. Não participava de aniversários porque deveria estudar… Perdeu o videogame porque deveria estudar… Não brincava com os vizinhos porque deveria estudar… E assim, o ato de estudar tornou-se seu pior pesadelo.

Uma história fictícia que ilustra muitos casos. Nós, adultos, muitas vezes colocamos o ato de estudar como “castigo” e, sem maiores intenções, transformamos toda a sede de aprender em terríveis traumas relacionados aos estudos. Para fecharmos esta reflexão eu lhes convido a observar como as crianças reagem diante de qualquer momento de aprendizagem: bicicleta, um jogo novo, um filme, a confecção de um material artesanal, a produção de um bolo… Eu posso garantir que, todos nós gostamos de aprender coisas novas, entretanto, precisamos de motivação. Uma dica: demonstre interesse pelos conteúdos, materiais e tudo o que engloba o universo escolar. Espere um tempo e terá em mãos um novo potencial: um aluno brilhante que se alimenta satisfatoriamente com tudo o que o universo lhe proporciona.

(Assessoria e correção do texto – Profa Luciane Maceu)

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