As crianças e as “Janelinhas da memória”Por Juliana Filleti S. Mellega/ Psicopedagoga Clínica

Aprender, na visão do adulto, parece simples. Entretanto, quando criança, passamos por um turbilhão de conceitos e aprendizados. Conforme crescemos, nosso repertório aumenta e ampliamos nossas “gavetinhas do saber”, ou seja, temos mais condições de elaborar e relacionar conceitos.

Para os pequenos, o ato de aprender é algo incômodo, que traz inúmeros desprazeres e que, com frequência, lhes tiram da condição de conforto e lhes tomam o espaço do prazer. Como psicopedagoga clínica, tenho sentido e ouvido das crianças essa necessidade de poder perguntar e solicitar ajuda. A sensação é de que o mundo está tão rápido que, o processo da aprendizagem não está com tempo hábil para que as janelinhas da memória sejam acessadas.

Quando aprendemos algo novo, pode ser em uma conversa, observação, explicação da professora, brincando, jogando, ERRANDO… Precisamos de um tempo para acomodar esse novo aprendizado, por este motivo, quando estamos inseguros ou incertos daquilo que iremos colocar em prática, recorremos àqueles que nos ensinaram para confirmarmos nossas hipóteses.

Na escola e em casa, algumas crianças nos fazem perguntas que parecem “óbvias”, mas que, para elas, são de extrema importância. Nesse instante, nossa tendência é dizer que elas já sabem e que não facilitaremos a resposta… Se pararmos para pensar, o mesmo tempo que utilizamos para “dar broncas”, utilizaríamos para ensiná-la a pensar sobre o assunto a ampliar seu repertório. Mas, como algo intrínseco, nos sentimos no dever de dizer que ela está “abusando” da nossa boa vontade…

Olhando por outra perspectiva, vamos imaginar que, quando seu filho/aluno lhe pergunta sobre algo óbvio, entenda que ela ainda está organizando este conhecimento nas janelinhas da memória e após internalizá-lo, poderá acessá-lo e relacioná-lo com novos conceitos. Que tal começar a responder? E ao invés de dizer “você já sabe”, responder e ampliar o assunto para que ele aprenda cada vez mais?

Janelinhas da memória são abertas com as chaves do amor!

(Assessoria e correção do texto – Profa Luciane Maceu)

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