A criança e o sorvete. Por Juliana Filleti Mellega / Psicopedagoga

Em uma lanchonete, uma criança (aproximadamente 5 ou 6 anos) me chamou a atenção: seus pais estavam no caixa, pagando a conta, quando a criança pediu um sorvete. Não ouvi a resposta, porém, seus gestos corporais indicaram que a resposta foi “Não”…

A criança, provavelmente insatisfeita com o “Não”, esperou seus pais se distraírem, abriu o freezer do estabelecimento, pegou um sorvete (o primeiro que conseguiu, pois tinha de ser o mais rápida possível) e saiu correndo!

No momento, fiquei observando qual seria a reação de seus pais, pois, com certeza, tratava-se de uma atitude incorreta e que causaria constrangimento à família… Quando a mãe foi pegar o sorvete para devolvê-lo, a criança correu, rasgou a embalagem, “lambeu” o sorvete e fez uma careta, descrevendo sua “astúcia”, pois havia conquistado seu objeto de desejo! Os pais? Ah, seus pais… O casal caiu na gargalhada e explicitamente aprovou a atitude e esperteza de uma criança que naquele momento, mostrou-se desinibida e “corajosa”… Conclusão: saíram rindo da lanchonete!

Triste conclusão… Se esses pais soubessem o equívoco que cometeram, uma atitude assim, não é e não pode ser condizente com quem almeja formar um cidadão digno e consciente de suas ações. Ontem, ainda pequena, a criança pegou “apenas” um sorvete e seus pais, por estarem ao seu lado, puderam arcar com as consequências, porém, como seria esta cena, se eu tivesse presenciado um adulto, ou mesmo um adolescente, pegando algo de um estabelecimento ou de qualquer outro lugar porque não soube conter seus desejos e buscou a satisfação sem pensar nas consequências?

A educação acontece nas pequenas intervenções, nos mais singelos exemplos… A cidadania pode e deve ser praticada desde a tenra idade!

Concordam?

Colaboradora Psicopedagogia Criandoumavidasemfrescura

Deixe uma resposta